Segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

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Assédio moral cresce de forma assustadora nas empresas

Fonte: CTB



O assédio moral no mundo do trabalho está inserido na lógica organizativa. A avaliação é da mestre em Psicologia Social e médica do trabalho, Margarida Barreto, que abordou o tema durante o 1º Encontro de Trabalhadoras Metalúrgicas de Caxias e Região, realizado ente os dias 20 e 21 de novembro.

"Os pilares que originam o assédio moral estão na forma de estabelecer valores pelos gestores. Hoje, recebemos uma média de 30 denúncias por dia de pressão psicológica. No Brasil, 39,5% dos trabalhadores sofrem abuso verbal e sofrem com humilhações como: Você é burra; Se dependesse de mim, colocaria você para trabalhar no banheiro."

Margarida recorreu a vastos exemplos, nominando inclusive empresas e organizações, onde foram identificadas práticas de assédio moral, como pressão para obrigar mulheres a pedirem demissão quando voltam da licença maternidade e trabalhadores com doenças, como LER (Lesões por Esforços Repetitivos). Com essa estratégia, a empresa se isenta de arcar com os direitos e a estabilidade.

"Hoje, o assédio moral é cada vez mais assustador. Não existe mais a luta de classes. Todo mundo virou colaborador. Colaborador da própria opressão?" Na avaliação da palestrante, as empresas fazem com que o trabalhador se sinta inútil para continuar nas funções quando os gestores estabelecem regras de produção para atingir metas de crescimento.

"O assédio está entre a luta de classe de capital e trabalho. É uma prática maquiavélica, diabólica, porque faz com que o trabalhador se sinta como não mais servindo para a função. A própria família, ao perceber a insatisfação do trabalhador, passa a aconselhá-lo a mudar de emprego."

A painelista relacionou ainda o assédio moral com os problemas de doenças do trabalhador, como a depressão, que tem aumentado significativamente. Segundo Margarida, somente em 2009 foram notificados quase 700 mil acidentes e doenças do trabalho. Os números do acumulado dos últimos três anos, apontam para cerca de três milhões de notificações.

"Isso é assustador. A CLT tem garantido que a empresa é responsável pela segurança e a saúde do trabalhador, mas como tem atuado as organizações de dentro dos muros? Para além dos muros, tem se propagado cada vez mais a imagem de responsabilidade social por parte das empresas.

O transtorno mental relacionado ao mundo do trabalho, de acordo com Margarida, cresceu assustadoramente, passando de 616 casos, em 2007, para 13.478 em 2009.

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